Sintomas do dia

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Dia febril, alívio e inércia. Assim como quando uma gripe te pega, fazendo sentir todos os ossos do seu corpo, mas na mesma situação de miserabilidade te deixa aproveitar calafrios no conforto de um edredom. Um dia, assim, sem razões biológicas. Sabe quando as coisas não são de todo ruins, mas reais. É o dia que apresenta a cara da ironia divina e o prosaico, retratado na tua frente.

O dia sem sonho e nem certeza. A temperatura te castiga com suor de onze horas, mas o céu continua nublado. Como se a abobada risse da tua cara em nuances acizentadas de cinema mudo. Dá uma vontade de rir de volta… Mas sem razão. O cheiro de fumaça de combustível franze a testa. O vento momentâneo é só velocidade do veículo, hoje é dia de ar parado. O abrir de portas do ônibus soa como a abrir uma garrafa gelada, ou fumaça de festa, mas nem todo mundo percebe. É cedo, é sol, é trabalho. A imaginação ainda não é volátil nesse horário(e às vezes nem em outro). E o asfalto começa a transpirar…      Mas ninguém respira fundo porque o ar é puro, não é mesmo?!

Roberta Amaral Damasceno

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